A reação da Venezuela à postura do Brasil sobre os BRICS
No dia 24 de outubro, o governo de Nicolás Maduro expressou forte descontentamento em relação à decisão brasileira de não apoiar a entrada da Venezuela no grupo dos BRICS, um bloco que reúne economias emergentes. Para o governo venezuelano, essa ação foi interpretada como uma “agressão” e um “gesto hostil”.
Posição oficial do governo venezuelano
Em um comunicado do ministério das Relações Exteriores, a chancelaria de Maduro afirmou que:
- A decisão do Brasil é uma agressão à Venezuela.
- Esse gesto se alinha a uma “política criminosa” de sanções contra o povo venezuelano.
- O Itamaraty estaria, de maneira intencional, impedindo a entrada da Venezuela no bloco.
Embora o texto não mencione diretamente o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a crítica foi direcionada ao Itamaraty e, especificamente, a Eduardo Saboia, secretário de Ásia e Pacífico e principal negociador do Brasil nos BRICS. Segundo eles:
- O Brasil, ao manter a posição de veto que foi implementada durante a presidência de Jair Bolsonaro, perpetua uma atitude de exclusão.
- A Venezuela deveria ter a oportunidade de se juntar ao grupo, uma vez que sua exclusão está ligada a uma “intolerância” promovida por centros de poder ocidentais.
Impactos nas relações Brasil-Venezuela
O comunicado também ressalta que o povo venezuelano se sente “indignado e envergonhado” pela postura do Brasil, que, segundo a chancelaria chavista, continua a refletir políticas hostis herdadas do governo Bolsonaro. Durante o governo de Bolsonaro, as relações entre os dois países se deterioraram significativamente, especialmente após a decisão de reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.
Desde a posse de Lula, as relações foram gradualmente restabelecidas, porém, atualmente, há um esfriamento em função da recusa do governo venezuelano em publicar as atas eleitorais que supostamente comprovam a vitória de Maduro nas recentes eleições. A oposição na Venezuela e muitos na comunidade internacional contestam os resultados que atribuíram a vitória a Maduro por mais de 51% dos votos, com o principal bloco opositor afirmando que a verdadeira vencedora foi a candidata González, com cerca de 67% dos votos.
A posição de Celso Amorim
Celso Amorim, assessor especial da presidência para assuntos internacionais, esteve em Caracas durante o período eleitoral e trouxe a informação de que Maduro havia se comprometido a publicar as atas, o que até o momento não ocorreu. Em uma declaração recente, Amorim expressou sua contrariedade à inclusão da Venezuela nos BRICS, indicando que o país não foi listado como futuro parceiro do bloco, ao contrário de Cuba e Bolívia.
Por fim, o Itamaraty foi consultado sobre o comunicado emitido pelo governo venezuelano, mas optou por não fazer comentários sobre a situação.