Introdução ao Caso José Maria do Tomé
O júri popular do assassinato do ativista ambiental José Maria do Tomé começou na manhã de quarta-feira (9), após 14 anos de espera. Zé Maria foi tragicamente morto com 25 tiros em 2010, e seu caso suscita grande comoção e interesse social.
Acusação e Réu
O réu no processo é Francisco Marcos Lima Barros, um agricultor que é acusado de ter fornecido informações que facilitaram a emboscada que resultou na morte de Zé Maria. O ativista era conhecido por seu trabalho em defesa do meio ambiente, especialmente contra a pulverização aérea de agrotóxicos na Chapada do Apodi, localizada na divisa entre os estados do Rio Grande do Norte e do Ceará.
Local do Julgamento
O julgamento está sendo realizado no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. A atuação do Ministério Público do Ceará (MPCE) é fundamental neste caso, e os promotores Alice Iracema Melo Aragão e Francisco Elnatan Carlos de Oliveira Junior estarão representando a acusação.
Denúncia do Ministério Público
A denúncia apresentada pelo MPCE aponta que Francisco cometeu homicídio qualificado, levando em consideração:
- O motivo torpe do crime;
- O uso de um meio cruel;
- A utilização de recursos que dificultaram a defesa da vítima.
Repercussão e Mobilização
A audiência tem recebido a atenção de diversos movimentos sociais que, há 14 anos, lutam por justiça. Zé Maria do Tomé é amplamente reconhecido por sua defesa dos direitos humanos e pelo trabalho em prol da preservação ambiental na Chapada do Apodi.
Contribuições do Ativista
Durante sua atuação, Zé Maria registrava imagens de aviões, fotografava e coletava documentos e estudos que evidenciavam os riscos associados à pulverização de agrotóxicos. Sua luta resultou na criação da Lei Estadual 16.820/19, a qual proíbe essa prática em todo o Estado do Ceará.
Circunstâncias do Crime
O ativista foi assassinado em 21 de abril de 2010. Ele estava trafegando de motocicleta em uma estrada pouco movimentada na comunidade de Tomé, em Limoeiro do Norte, no interior do Ceará. A motivação por trás do crime está diretamente ligada à sua resistência e combate à pulverização aérea de agrotóxicos, que, segundo Zé Maria, causava grandes danos à saúde da população local.